sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.
Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso: Se iludindo menos e vivendo mais!!!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que,
esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade.
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional.
Carlos Drumond de Andrade
Parece tão fácil evitar o sofrimento...Drummond tem essa leveza , quando escreve.Faz com que se tenha a impressão de que é possível viver as adversidades sem sofrer. Iludindo-nos menos e vivendo mais?!!!
Esqueceu-se de nos fornecer a receita : como????
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
O amor comeu minha paz e minha guerra.
OS TRÊS MAL-AMADOS.
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome. O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos. O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina. O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos. Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina. O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água. O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome. O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel. O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso. O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala. O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.
JOÃO CABRAL DE MELO NETO.
Sem palavras.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Perguntas. E as respostas?
O ciclo infinito de ideias e ação,
Infinita experiência, infinita invenção,
Traz o saber do movimento, mas não da paz...
Onde está a vida que perdemos vivendo?
Onde está a sabedoria que perdemos no conhecimento?
Onde está o conhecimento que perdemos na informação?
T.S.Eliot (1888-1965), poeta
As respostas esperam as perguntas certas. E nós não sabemos fazê-las...(eu!)
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Escolher é sempre!
O que é que se faz, quando se sabe que é preciso mudar e o
caminho se bifurca? Quando o futuro é uma incógnita e o presente, insatisfatório?
Parece fácil. Não é.
Os caminhos existem . É só escolher. Mas ambos trazem conseqüências e, definitivamente, nunca
aprendi a ser minha prioridade. Desde que me conheço ( será????) tenho
priorizado os demais em detrimento de mim mesma.
Estou flutuando entre
duas sensações que colocam minha alma em alerta: dúvida e medo.
Não sei quantas escolhas já fiz, e não me cabe julgar agora
se foram ou não acertadas, quando aconteceram. Eu as fiz e arquei com sucessos
e frustrações pertinentes a todas elas , porque , afinal, viver é isso:
ARRISCAR-SE.
Não há estradas lineares, há curvas, buracos , pedras,
sobressaltos, surpresas. Qualquer que
seja a opção, há um preço a pagar e o cacife não é só dinheiro, é desilusão de chegar a algo de que tentou-se
desviar. Prêmio, quando - e se – houver é
apenas um dos lances da aventura.
O tempo e a idade, no entanto, me têm feito mais cautelosa,
mesmo que o espírito aventureiro teime em se manifestar. Deveria ter mais paciência,
virtude que nunca tive, nem aprendi.É tão simples acomodar-se, deixar de lado
essa adrenalina que – em ondas- acelera meu coração diante de um impasse, para
aceitar o obvio à minha frente.
Porém, acomodar-me é entregar os pontos, é dar à vida as rédeas
do meu destino. Talvez, no momento em que o fizer, eu esteja desistindo, uma
maneira triste de deixar de existir. Não
quero isso, AINDA.
Definitivamente, não posso me entregar . Enquanto houver
horizonte, cabe-me o direito e o poder de
escolher o caminho. Principalmente, agora, que aprendi a duras penas que
felicidade - pelo menos, para mim - é, sobretudo, paz.
E volto ao início do
texto : os caminhos existem. Ambos são viáveis, mas só posso trilhar um.
QUAL?????
domingo, 8 de janeiro de 2012
Cumplicidade.
GeraldoCasado
Ensinamento
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como ‘este foi difícil’
‘prateou no ar dando rabanadas’
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café, deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
Adélia Prado.
Nem véu, nem grinalda...o casamento se faz de amor e cumplicidade.
Nem véu, nem grinalda...o casamento se faz de amor e cumplicidade.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Uma crônica à luz do tempo...
Hoje, 6 de janeiro, enfim, férias.
O meu óbvio quando isso acontece é limpeza e arrumação. É
preciso colocar a casa em ordem, para , em seguida,organizar a vida. Não se
discute que seria adorável Paris ou
Londres, mas o meu universo não me permite isso nem em divagações.
Bem, como temos que começar por algum lugar, por que não por
muitas e muitas prateleiras de livros? Há sempre a chance de unir o prazer ao
esforço...
Depois de alguns locais recônditos , onde dormem livros há
muito manuseados, tomo às mãos um exemplar de capa colorida que faria o
deleite de muitos adolescentes :pornografia
e lesbianismo. O que ISSO estaria
fazendo aqui? Lembro-me , então, não é um exemplar. São dois. Ambos com dedicatória
e autografados pela autora.
O tempo borbulha em minha
memória e me leva a parar tudo, sentar-me diante dessa telinha e
transcrever uma situação, no mínimo,
constrangedora, vivida por mim em um curso supletivo, São Paulo, capital,
em 1970. 40 anos se foram e as imagens
fluem diante de mim com uma clareza contundente. Eu tinha, então, 25, era uma
jovem advogada em um escritório de Direito do Trabalho( durante o dia) e“aprendiz” de professora à noite.
Redação e Literatura eram as disciplinas que eu acumulara
naquele ano. Os fins de semana , eu os passava estudando muito, e me
deslumbrava com os meandros da Língua
Portuguesa, aliás, o mesmo que ainda faço. Desde sempre, assim que comecei a
ler os clássicos, embora seja amante de todos, tenho um especial : Machado de
Assis. Independente da elegância e do estilo precioso, a história dele me
motiva e me encanta. E me comprazia em sala de aula, não só a exaltá-lo, mas a
criticar a leitura de obras rasteiras que o público adquiria e que, segundo
minhas exatas- e imprudentes- palavras , mereciam o lixo. Não raro, minha arrogância ( ah! juventude
sem medida!)citava alguns nomes que eu execrava.
Mas, como sempre gostei de estar em sala de aula, e relacionava-me
bem com os alunos , para incentivá-los, criei um mural, no qual postava a
melhor redação da semana, depois de elogiá-la. Em um dia
qualquer, a escolhida trazia um letra miúda
e bonita, e abaixo assinava O. Rios. E foi , então, que conheci Odete, uma jovem senhora ( tinha quase o dobro da minha idade) sorridente,simpática, loira
oxigenada, que se apresentou. E não é só, tem mais...
Essa mulher era famosíssima, Cassandra Rios, a autora
que mais vendia livros na época e que, por não ter escolaridade, ali estava atrás
de um diploma. Se eu havia citado seus livros como lixo? Sim...mais de uma vez.
Constrangimento, vergonha, justificativas, nada adiantou. E ainda fui presenteada com
dois exemplares autografados : “ A Paranóica” e “Macária”. Apesar das dedicatórias elogiosas, as obras me queimavam as mãos. Era como se carregar esses livros fosse algo escandalosos. E era.
Se eu os li? Sim...mais de uma vez. Ela ousou falar em uma linguagem absolutamente crua, com incorreções gramaticais, claro, da sensualidade, do erotismo, do homossexualismo,sem qualquer inibição.
Se eu os li? Sim...mais de uma vez. Ela ousou falar em uma linguagem absolutamente crua, com incorreções gramaticais, claro, da sensualidade, do erotismo, do homossexualismo,sem qualquer inibição.
Esses livros ficaram escondidos das minhas filhas
durante todo esse tempo, assim como essa
história que me ensinou – levemente, pois isso só se aprende com o tempo- a ser
mais comedida.
E como essa ,há muitas história tristes, saborosas,divertidas na minha vida.Há muitos profissionais bem sucedidos e famosos, celebridades televisivas, e outras de quem tenho histórias partilhadas para contar. Mas, estão vivos, vivíssimos, na mídia, e não me cabe desnudá-los aqui.
Minha filha tem razão...
eu poderia escrever um livro!
Acreditem...eu fiz parte dessa história.
Morre em SP a escritora Cassandra Rios
São Paulo - Morreu no dia
08/03/2002 em São Paulo, no hospital Santa Helena, a escritora Cassandra Rios,
autora de "A Tara" e "Tessa, a Gata", entre outros. Nascida
em 1932 com o nome de Odete Rios, ela foi uma das autoras mais vendidas dos
anos 60 e 70 - e também das mais perseguidas pela censura. Estreou com
"Volúpia do Pecado" (1948) e foi um sucesso popular com incontáveis
livros, ao lado da também considerada pornógrafa Adelaide Carraro (autora de
"Adelaide no Mundo com Sílvio Santos").
Chegou a vender quase
trezentos mil exemplares de seus livros por ano, números que só seriam
rivalizados por Paulo Coelho. Misturava em suas obras homossexualismo feminino,
cultos umbandistas, negócios e política, combinação que não respeitava o
"bom gosto" que o regime militar desejava preservar. Com a abertura,
um de seus livros, "A Paranóica", foi adaptado para o cinema, com
título de "Ariella". Ariella (Nicole Puzzi) era uma menina rejeitada
que vivia numa mansão e que descobre que seu tio fingia ser seu pai para ficar
com sua fortuna. Para se vingar, passa a usar o próprio corpo, desintegrando a
família.
Cassandra queixava-se de
confundirem suas obras com sua vida. Numa entrevista recente à revista TPM,
afirmou: "O que mais me incomodou foi me encararem como personagem de
livro. Então, não tenho capacidade para ser escritora?!". Cassandra foi
enterrada no cemitério de Santo Amaro (SP).
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido.
Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la.
Sonhe com aquilo que você quiser. Vá para onde você queira ir. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só temos uma chance de fazer aquilo que queremos. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas.
O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido. Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar, duram uma eternidade.
A vida não é de se brincar porque em pleno dia se morre.
Clarice Lispector...uma chave de ouro para abrir 2012.
... se houver uma felicidade racional , ela é ter a oportunidade de ler textos como esse.
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