domingo, 12 de junho de 2011

Ah! o amor...

Florentino Ariza não deixou de pensar nela um único instante desde que Fermina Daza o rechaçou sem apelação depois de uns amores contrariados e longos, e haviam transcorrido a partir de então cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias”

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Depois de um longo tempo, Florentino Ariza olhou Fermina Daza ao fulgor do rio, viu-a espectral, o perfil de estátua suavizado por um tênue resplendor azul, e viu que chorava em silêncio.Mas, em vez de consolá-la, ou esperar que esgotasse suas lágrimas, como queria ela, deixou-se invadir pelo pânico.
-Você quer ficar só?
-Se quisesse não diria a você que entrasse.-disse ela.
Então ele estendeu os dedos gelados na escuridão, buscou tateante a outra mão na escuridão, e a encontrou à espera.Ambos foram bastante lúcidos para perceber , num mesmo instante fugaz, que nenhuma das duas era a mão que tinham imaginado antes de se tocar, e sim duas mãos de ossos velhos.

Gabriel Garcia Márquez  in " O amor nos tempos  do cólera"
Impregnada até os ossos pelo amor incondicional de Florentino Ariza por Fermina Daza... Lindo.Imperdível.
A mais bela e perfeta história de amor que a literatura já criou .( para mim, dentre as que conheço,claro!)

Sinais
Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção. Pode ser a pessoa mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e neste momento houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante e os olhos encherem d'água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Deus te mandou um presente divino: o amor.
Se um dia tiver que pedir perdão um ao outro por algum motivo e em troca receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa maravilhosa: você poderá contar com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir em pensamento sentir o cheiro da pessoa como se ela estivesse ali do seu lado... se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo ela estando de pijamas velhos, chinelos de dedo e cabelos emaranhados...
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo, ansioso pelo encontro que está marcado para a noite... se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um futuro sem a pessoa ao seu lado...
Se você tiver a certeza que vai ver a pessoa envelhecendo e, mesmo assim, tiver a convicção que vai continuar sendo louco por ela... se você preferir morrer antes de ver a outra partindo: é o amor que chegou na sua vida. É uma dádiva.
Muitas pessoas apaixonam-se muitas vezes na vida, mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro. Ou às vezes encontram e por não prestarem atenção nesses sinais, deixam o amor passar, sem deixá-lo acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio. Por isso preste atenção nos sinais, não deixe que as loucuras do dia a dia o deixem cego para a melhor coisa da vida: o amor.

O AMOR - Carlos Drummond de Andrade
( já postei esse texto , anteriormente, mas -hoje- ele cabe aqui como uma luva)

Claro que é piegas. Inegavelmente meloso. Brega.Faz a gente perder o senso de ridículo.Leva-nos do paraíso ao inferno em segundos e vice-versa. Bate e afaga. Mas, quem é que vive sem ele?Quem nunca sentiu o coração acelerado, saltando pela boca, só porque está na hora de um encontro, não sabe o que é emoção.Que sentido tem a vida sem que a gente se veja nos olhos do outro que tanto amamos? ah! o amor!
Eu poderia ficar aqui o dia inteiro, postando textos de autores brilhantes, mas limito-me a escolher três que falaram tudo em quase nada:o óbvio essencial.
(Os grifos são nossos)


Amor é fogo que arde sem se ver;

É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.


Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Camões

(PS: Bruno, a julgar pelos últimos 20 posts do seu blog, esse aqui vai diretinho para você. Não tenho conseguido postar lá, mas estou acompanhando suas agruras amorosas...rs bj.)

sábado, 11 de junho de 2011

O medo de cada um.


não guardes os medos
por José Carlos Barros, sábado, 2 de abril de 2011 às 00:50.

não guardes os medos e o coração na mesma gaveta
não deixes o ruído de uns
intrometer-se onde
no outro a luz é quase de água
não escolhas entre duas verdades
não deixes acesas durante a noite as lâmpadas
tão difusas
dos provérbios                                                                                                                                                                   
às vezes é preciso queimar as páginas dos
livros dos usos
às vezes é preciso olhar de frente a luz
da flor da dedaleira
essa que dizem que cega
só de nos aproximarmos
dela

 Quem, por medo do terrível, prefere o caminho prudente de fugir do risco, já nesse ato estará morto. Porque o medo lhe terá roubado aquilo que de mais precioso existe na vida humana: a capacidade de se arriscar para viver o que se ama.
Rubem Alves


Nada sei escrever sobre o medo, porque, de longe, ele é meu maior limite.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Desviar das setas.


COMUNICADO

Só por hoje
vou rasgar os códigos.
Desacato as regras,
a água morna,
os preços módicos.
Só por hoje
desacredito das retas,
descarrilho do trilho,
desvio das setas.
Preciso de tempo pra sonhar,
respirar fundo e carregar na mão
o sal da vida e o mel do mundo.
Se o compromisso tocar a campainha,
peço que aguarde na casa vizinha,
mansamente, sem fazer alarde.
Mas comunico a todos pela imprensa
que sumiu a lucidez.
Pediu licença.
É só por hoje,
mas agora é minha vez.
( os grifos são meus)
Flora Figueiredo


Em "A Igreja do Diabo", de Machado de Assis, descreve a necessidade que o homem teria de regras que lhe digam o que fazer e como se comportar. Uma vez conseguido isso, ele passaria a violar secretamente as normas que tanto desejou.

Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a idéia de fundar uma Igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos. (...) Está claro que (o Diabo) combateu o perdão das injúrias e outras máximas de brandura e cordialidade. Não proibiu formalmente a calúnia, mas induziu a exercê-la mediante retribuição, ou pecuniária, ou de outra espécie. (...) A Igreja fundara-se; a doutrina propagava-se; não havia uma região do globo que não a conhecesse, uma língua que não a traduzisse, uma raça que não a amasse. O Diabo alçou brados de triunfo.


Um dia, porém, longos anos depois, notou o Diabo que muitos dos seus fiéis, às escondidas, praticavam as antigas virtudes. (...) Certos glutões recolhiam-se a comer frugalmente três ou quatro vezes por ano (...) muitos avaros davam esmolas, à noite, ou nas ruas mal povoadas; vários dilapidadores do erário restituíam-lhe pequenas quantias; os fraudulentos falavam, uma ou outra vez, com o coração nas mãos, mas com o mesmo rosto dissimulado, para fazer crer que estavam embaçando os outros. [Nota: embaçar: lograr, enganar]


Quebrar regras para "carregar na mão o sal da vida e o mel do mundo" . Por que não?
Lindooooo!

domingo, 29 de maio de 2011

Talvez a grande resposta. A única.


Fico pensando se viver não será sinônimo de perguntar.
A gente se debate, busca, segura o fato com duas mãos sedentas e pensa: Achei! Achei!
Mas ele escorrega se espatifa em mil pedaços, como um vaso de barro coberto apenas por uma leve camada de louça.


A gente fica só, outra vez, e tem que começar do nada, correndo loucamente em busca dos outros vasos que vê. Cada um que surge parece o último, mas todos são de barro, quebram-se antes que possamos reformular as perguntas.
E começamos de novo, mais uma vez, dia após dia, ano após ano.
Um dia a gente chega à frente do espelho e descobre: Envelheci!


Então a busca termina. As perguntas colam no fundo da garganta, e vem a morte.
Que talvez seja a grande resposta.
A única.

Caio Fernando de Abreu
Limite Branco

Na verdade, perguntas sem respostas nos desafiam.Formam uma teia intrincada , elos de uma corrente que só tem fim quando " ela" chega. E descobrimos que nenhuma resposta  definitiva virá, a não ser "ela"Mas , aí, que importa a resposta se ela não passa de uma outra pergunta ? E agora?...

sábado, 28 de maio de 2011

Um passado de amor pode ser insuperável.


Durante sete anos , separados pelo destino, amaram-se a distância. Sem que um soubesse o paradeiro do outro, procuravam-se através dos continentes, cruzavam pontes e oceanos, vasculhavam vielas, indagavam. Bússola de longa busca, levavam a lembrança de um rosto sempre mutante, em que o desejo, incessantemente, redesenhava os traços apagados pelo tempo.
Já quase nada havia em comum entre aqueles rostos e a realidade, quando enfim, num praça se encontraram. Juntos, podiam agora viver a vida com que sempre haviam sonhado.Porém cedo descobriram que a força do seu passado amor era insuperável.
Depois de tantos anos de afastamento, não podiam viver senão separados, apaixonadamente desejando-se. E, entre risos e lágrimas, despediram-se, indo morar em cidades distantes.

Marina Colasanti

Sem palavras. Só saudades.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Entre partir e ficar.

Entre partir e ficar hesita o dia,
enamorado de sua transparência.
A tarde circular é uma baía:
em seu quieto vai e vem se move o mundo.

Tudo é visível e tudo é ilusório,
tudo está perto e tudo é intocável.
Os papéis, o livro, o vaso, o lápis
repousam à sombra de seus nomes.

Pulsar do tempo que em minha têmpora repete
a mesma e insistente sílaba de sangue.
A luz faz do muro indiferente
Um espectral teatro de reflexos.

No centro de um olho me descubro;
Não me vê, não me vejo em seu olhar.
Dissipa-se o instante. Sem mover-me,
eu permaneço e parto: sou uma pausa.

Otávio Paz

É na pausa que mora o segredo.
Partir é desnudar o desconhecido,aventurar-se; ficar é receber o aconchego do já vivido.
Mas, como diria Zuenir Ventura : A cabeça pode gostar de novidade, mas o coração adora repetir o já provado. Se as idéias vivem da originalidade, os sentimentos gostam da redundância. Não é por acaso que o prazer procura a repetição.

É assim que , na maioria das vezes, acabamos ficando...

sábado, 21 de maio de 2011

Algumas escolhas nós vivemos vezes sem fim.

Uma máxima de aviador: "A Regra das Consequências Não-Intencionais.

Em vinte anos você saberá como isso é profundo. Todo professor de verdade é você mesmo disfarçado.Gostaria de possuir algumas máximas de primeira? Estou vasculhando minha vida neste minuto para lhe fornecer de graça o melhor que sei, comprado ao preço de todos os meus dias. Você é infinitamente inteligente. Se não as entender agora, vai entendê-las mais tarde, no seu próprio tempo.

"Ponha a segurança acima da felicidade e esse é o preço que irá pagar por ela."

"Culpa é a tensão que sentimos por mudarmos o passado, presente ou futuro em função de alguém."

"Algumas escolhas nós vivemos não uma só vez, mas vezes sem fim, lembrando para o resto de nossas vidas. Nossa sorte é não termos recordação de outras vidas...imobilizados pela memória, não poderíamos prosseguir com esta."

"_Tenha isso em mente: nós nunca crescemos. Tudo o que vemos de uma pessoa, rica ou pobre, alegre ou triste, num determinado momento, é um instantâneo de sua vida. Instantâneos não mostram as milhões de decisões que levaram àquele momento."

"A mais leve sugestão de mudança é uma ameaça de morte a alguns status quo."

"Razão premente nunca convence emoção cega."

As coisas ao nosso redor...casas, empregos, carros...são acessórios, cenários para o nosso amor. As coisas que possuímos, os lugares em que vivemos, os eventos de nossas vidas: cenários vazios. Como é fácil mudar os cenários, esquecer diamantes!

A única coisa que importa, ao final de uma estada na Terra, é quão bem amamos, qual foi a qualidade do nosso amor?

Richard Bach

Não se pode ensinar a vida. Ela acontece cheia de imprevistos que resolvemos ou não, mas nada nos prepara nem para resolvê-los , nem para ensiná-los.E nem mesmo para aprender.
Sem dúvida, viver é escolher- todos os dias -algo que nos levará a algum lugar ou a alguém. Mas, onde?... e a quem?