Talvez a vida não seja luminosa
Mas tem momentos: o lago da cama, o sol
Na lombada dos livros,
o joelho amável
Da mulher deitada.
Como vai ser a manhã
Não sei, ergo a minha taça.
Amadurece o mar, mergulho na luz
E regresso a casa: a boca na maçã
À sombra do teu olhar, a música
Dos gatos, as tuas mãos que envolvem
As árvores ao meio dia.
Sabor a terra,
Gota a gota na minha língua.
Caminho na praia como quem sente
As peles sobrepostas do mundo em volta
Do meu corpo, coração de pó
E sento-me em repouso a ouvir a respiração
Do vinho.
Talvez a noite não apague
Esta magia.
Casimiro de Brito in 69 Poemas de Amor,4Águas Editora 2008
Há uma fase da vida que poderíamos chamar de " da caça à felicidade".É uma violência para a qual não estamos preparados, pois na ópera cômica os amores são felizes porque são capazes de tocar o mundo exterior com a mágica leveza da graça e do riso.
Não é suficiente repousar o corpo, é preciso repouso da alma , para que a felicidade se instale quase imperceptível. É o bastante!
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Um presente para meus amigos...
...desejando que cada um consiga, à sua maneira ,captar a magia que está implícita nesses dois vídeos.
Beijos
Beijos
De tudo ficaram três coisas...

"De tudo ficaram três coisas:
A certeza de que estamos começando,
A certeza de que é preciso continuar e
A certeza de que podemos ser interrompidos antes de terminar.
Fazer da interrupção um caminho novo,
Fazer da queda um passo de dança,
Do medo uma escola,
Do sonho uma ponte,
Da procura um encontro,
E assim terá valido a pena existir."
Fernando Sabino
Sem palavras...
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Sempre é hora de embriagar-se...
É preciso estar sempre embriagado. Aí está: eis a única questão. Para não sentirem o fardo horrível do Tempo que verga e inclina para a terra, é preciso que se embriaguem sem descanso.
Com quê? Com vinho, poesia ou virtude, a escolher. Mas embriaguem-se.
E se, porventura, nos degraus de um palácio, sobre a relva verde de um fosso, na solidão morna do quarto, a embriaguez diminuir ou desaparecer quando você acordar, pergunte ao vento, à vega, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo que flui, a tudo que geme, a tudo que gira, a tudo que canta, a tudo que fala, pergunte que horas são; e o vento, a vaga, a estrela, o pássaro, o relógio responderão:
“É hora de embriagar-se”!
Para “não serem os escravos martirizados do tempo, embriaguem-se; embriaguem-se sem descanso” Com vinho, poesia ou virtude, a escolher.
Charles Baudelaire
A todos aqueles que são capazes de viver embriagados, sobretudo , de paixão por si e pela vida!
domingo, 3 de outubro de 2010
Aprendendo a olhar...
A Arte de Ser Feliz
Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco
Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas, todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e , em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas.Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual para que o jardim não morresse.E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros ,e meu coração ficava completamente feliz.
Às vezes , abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crianças que vão para a escola.Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham a boca sonhando com pardais.Borboletas brancas, duas a duas, como refletidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes, um galo canta.Às vezes, um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo seu destino. E eu me sinto completamente feliz.
Mas quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela,uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Cecília Meirelles(Quadrante- 2ª edição, Rio, 1962)
No meu intenso ofício de aprendiz da vida , descobri - aos pouquinhos- que é preciso mais do que olhar o que nos rodeia. É necessário ver,analisar, render-se à realidade e apegar-se aos sonhos.Sempre olhando e ...vendo.
Em verdade,não percebemos que somos felizes, no cotidiano, vivendo acontecimentos corriqueiros e habituais.
Frequentemente, olhamos “sem ver” , não conseguimos avaliar em profundidade o que está ao nosso alcance.
Aprender a “ olhar e ver” – uma “leitura” essencial do mundo.Um execício difícil e cotidiano.
sábado, 2 de outubro de 2010
A glória do vôo.
"Não tardou muito para que Fernão Gaivota voltasse a pairar no céu, sozinho, esfomeado, feliz, aprendendo. Revoltava-o saber que uma gaivota era uma presa fácil, por voar muito devagar.
O tema era a velocidade. E depois de uma semana de prática, conseguira aprender mais sobre velocidade do que a gaivota viva mais rápida.
Aprendeu que encurtando as asas, como as asas do falcão, poderia atingir em mergulho a velocidade fantástica de trezentos e vinte quilómetros por hora.
Isto aconteceu numa manhã, logo a seguir ao nascer do sol, Fernão Gaivota atravessou o Bando da Alimentação que perseguia um barco de pesca; como uma bala, riscando o céu a trezentos e vinte quilómetros por hora, num tremendo rugido de vento e penas. A Gaivota da Fortuna sorriu-lhe desta vez e ninguém foi ferido.
Radiante, pensava no bando, "Ficarão loucos de alegria. Como vale a pena agora viver! Em vez da monótona labuta de procurar peixe junto dos barcos de pesca, temos uma razão para estar vivos! Podemos subtrair-nos à ignorância, podemos encontrar-nos como criaturas excelentes, inteligentes e hábeis. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!"
Ao voltar à noite para o bando, Fernão foi chamado ao centro. As palavras do mais velho foram pronunciadas no tom mais solene. Ser chamado ao centro só podia significar grande vergonha ou grande honra.
Fernão Gaivota - disse o mais velho -, é chamado ao centro por vergonha aos olhos das gaivotas suas semelhantes... pela sua desastrada irresponsabilidade por violar a dignidade e tradição da família das gaivotas... não se pode esquecer, que estamos neste mundo para comer e para nos mantermos vivos tanto quanto pudermos.
Uma gaivota nunca contesta o Conselho do Bando, mas a voz de Fernão ergueu-se gritando:
Quem é mais responsável do que uma gaivota que descobre e desenvolve um significado, um propósito mais elevado na vida? Passamos mil anos lutando por cabeças de peixe, mas agora temos uma razão para viver, para aprender, para descobrir, para sermos livres!
O bando mostrou-se impenetrável como a pedra. Fernão foi banido da sociedade das gaivotas, condenado para a vida solitária nos Penhascos Longínquos.
Fernão Gaivota passou o resto dos dias sozinho, mas voou muito além dos Penhascos Longínquos. A solidão não o entristecia. Entristecia-o que as outras gaivotas se tivessem recusado a acreditar na glória do vôo que as esperava. Recusaram -se a abrir os olhos e a ver."
Richard Bach
O tema era a velocidade. E depois de uma semana de prática, conseguira aprender mais sobre velocidade do que a gaivota viva mais rápida.
Aprendeu que encurtando as asas, como as asas do falcão, poderia atingir em mergulho a velocidade fantástica de trezentos e vinte quilómetros por hora.
Isto aconteceu numa manhã, logo a seguir ao nascer do sol, Fernão Gaivota atravessou o Bando da Alimentação que perseguia um barco de pesca; como uma bala, riscando o céu a trezentos e vinte quilómetros por hora, num tremendo rugido de vento e penas. A Gaivota da Fortuna sorriu-lhe desta vez e ninguém foi ferido.
Radiante, pensava no bando, "Ficarão loucos de alegria. Como vale a pena agora viver! Em vez da monótona labuta de procurar peixe junto dos barcos de pesca, temos uma razão para estar vivos! Podemos subtrair-nos à ignorância, podemos encontrar-nos como criaturas excelentes, inteligentes e hábeis. Podemos ser livres! Podemos aprender a voar!"
Ao voltar à noite para o bando, Fernão foi chamado ao centro. As palavras do mais velho foram pronunciadas no tom mais solene. Ser chamado ao centro só podia significar grande vergonha ou grande honra.
Fernão Gaivota - disse o mais velho -, é chamado ao centro por vergonha aos olhos das gaivotas suas semelhantes... pela sua desastrada irresponsabilidade por violar a dignidade e tradição da família das gaivotas... não se pode esquecer, que estamos neste mundo para comer e para nos mantermos vivos tanto quanto pudermos.
Uma gaivota nunca contesta o Conselho do Bando, mas a voz de Fernão ergueu-se gritando:
Quem é mais responsável do que uma gaivota que descobre e desenvolve um significado, um propósito mais elevado na vida? Passamos mil anos lutando por cabeças de peixe, mas agora temos uma razão para viver, para aprender, para descobrir, para sermos livres!
O bando mostrou-se impenetrável como a pedra. Fernão foi banido da sociedade das gaivotas, condenado para a vida solitária nos Penhascos Longínquos.
Fernão Gaivota passou o resto dos dias sozinho, mas voou muito além dos Penhascos Longínquos. A solidão não o entristecia. Entristecia-o que as outras gaivotas se tivessem recusado a acreditar na glória do vôo que as esperava. Recusaram -se a abrir os olhos e a ver."
Richard Bach
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Férias...um encontro de mim comigo.
Em 03/07 , à noite, quando as pessoas que amo ( neta e filha) foram-se embora, entrei em casa com a sensação de deserto. Não sabia bem o que fazer de mim, e do oco que se me apresentava.
O som da TV, a tela do computador, a noite inteira à minha disposição ( era sexta-feira!)nada era companhia. Tentei dormir, em vão. Como se preenche o vazio ? E com quê? Adormeci pelo cansaço.
Mas...no dia seguinte dei-me conta de uma coisa preciosa –não me lembro de tê-la vivido antes :O MEU TEMPO NÃO TINHA RELÓGIO!
Os dias eram inteirinhos meus,sem fogão, sem planejamento de aulas , sem corrigir redações, sem hora para almoçar , dormir... Podia ir para onde quisesse e quando quisesse. E surpreendentemente sem nada e ninguém pra me dizer o que fazer, quando e como. Em principio, muito esquisito, mas daí a um pouco as férias começaram a me parecer atraentes...muito atraentes.
Passaram-se 12 dias, desde então. E tirando a ausência das pessoas que me completam ( porque em circunstancia alguma se tira férias de alguém que se ama...)foram dias absolutos de encontro de mim comigo-mesma.
Em primeiro lugar, o silêncio. Delicioso silêncio Aquele inefável silêncio que fala mais alto do que qualquer som.E eu não queria falar , nem ouvir.
E depois o depois.
Comer quando -e se -tivesse fome.
Levantar-me e sentar-me –sem culpa – diante da TV às 7.30 da manhã para assistir a um cult em branco -e -preto, Crepúsculo dos Deuses ( um clássico de 1900 e nada) e gostar sem remorso;ouvir boleros pela casa e cantarolar Lucho Gatica ( bem desafinadamente...rs)sem que ninguém zombasse do que eu gosto; ler tanto e tanto a ponto de fazer calos nos olhos ( e sem interrupção programada);escrever no blog e nas agendas aos borbotões; dar-me ao luxo de não atender telefone, porque realmente não queria falar com ninguém e por nenhum motivo; sair de casa só para tomar um sorvete ; tomar intermináveis banhos quentinhos , enquanto as vidraças embaçavam;tomar as borbulhas de um vinho Lambrusco bem gelado; assistir ao memorial ao Michael Jackson e chorar de pena dele, porque viveu e morreu sozinho, apesar de sempre acompanhado; chorar durante show do Roberto, ao me dar conta de que ali também estava muito da minha vida ...
...quanta coisa mais eu fiz por mim e para mim.
Cheguei até a me cadastrar no Twitter ( ora , vejam só...sozinha!!!! sem ajuda de ninguém e entrei em textos lindíssimos de pessoas que tem muito pra dizer). Fala sério! Férias é isso.
Inclusive não arrumei nenhum armário, guarda-roupa, ou qualquer coisa que precisasse de ordem., porque eu precisava era mesmo de desordem exterior e interior para poder me reorganizar.
Amanhã isso acaba. Aliás, só foi bom porque, um dia, acabaria. São as exceções, não as regras, que nos colocam em pauta. Estou com saudades imensas das minhas baixinhas (uma bem altinha, já...) que vou ver amanhã.Elas são o meu porquê.
Ainda haverá dias semi-ociosos, mas quando todos os que conheço e com quem converso ( poucos, acreditem...) contarem sobre suas viagens maravilhosas por esse mundão de Deus, mesmo que eu fique em silêncio, estarei sabendo que fiz a grande viagem.
Viajei para fora e para dentro de mim mesma e – o melhor –fiz planos. Planos? Sim, planos...
porque ,onde , hoje, há pássaros, fatalmente , amanhã, haverá vôo!
Em 15 de Julho de 2009
O som da TV, a tela do computador, a noite inteira à minha disposição ( era sexta-feira!)nada era companhia. Tentei dormir, em vão. Como se preenche o vazio ? E com quê? Adormeci pelo cansaço.
Mas...no dia seguinte dei-me conta de uma coisa preciosa –não me lembro de tê-la vivido antes :O MEU TEMPO NÃO TINHA RELÓGIO!
Os dias eram inteirinhos meus,sem fogão, sem planejamento de aulas , sem corrigir redações, sem hora para almoçar , dormir... Podia ir para onde quisesse e quando quisesse. E surpreendentemente sem nada e ninguém pra me dizer o que fazer, quando e como. Em principio, muito esquisito, mas daí a um pouco as férias começaram a me parecer atraentes...muito atraentes.
Passaram-se 12 dias, desde então. E tirando a ausência das pessoas que me completam ( porque em circunstancia alguma se tira férias de alguém que se ama...)foram dias absolutos de encontro de mim comigo-mesma.
Em primeiro lugar, o silêncio. Delicioso silêncio Aquele inefável silêncio que fala mais alto do que qualquer som.E eu não queria falar , nem ouvir.
E depois o depois.
Comer quando -e se -tivesse fome.
Levantar-me e sentar-me –sem culpa – diante da TV às 7.30 da manhã para assistir a um cult em branco -e -preto, Crepúsculo dos Deuses ( um clássico de 1900 e nada) e gostar sem remorso;ouvir boleros pela casa e cantarolar Lucho Gatica ( bem desafinadamente...rs)sem que ninguém zombasse do que eu gosto; ler tanto e tanto a ponto de fazer calos nos olhos ( e sem interrupção programada);escrever no blog e nas agendas aos borbotões; dar-me ao luxo de não atender telefone, porque realmente não queria falar com ninguém e por nenhum motivo; sair de casa só para tomar um sorvete ; tomar intermináveis banhos quentinhos , enquanto as vidraças embaçavam;tomar as borbulhas de um vinho Lambrusco bem gelado; assistir ao memorial ao Michael Jackson e chorar de pena dele, porque viveu e morreu sozinho, apesar de sempre acompanhado; chorar durante show do Roberto, ao me dar conta de que ali também estava muito da minha vida ...
...quanta coisa mais eu fiz por mim e para mim.
Cheguei até a me cadastrar no Twitter ( ora , vejam só...sozinha!!!! sem ajuda de ninguém e entrei em textos lindíssimos de pessoas que tem muito pra dizer). Fala sério! Férias é isso.
Inclusive não arrumei nenhum armário, guarda-roupa, ou qualquer coisa que precisasse de ordem., porque eu precisava era mesmo de desordem exterior e interior para poder me reorganizar.
Amanhã isso acaba. Aliás, só foi bom porque, um dia, acabaria. São as exceções, não as regras, que nos colocam em pauta. Estou com saudades imensas das minhas baixinhas (uma bem altinha, já...) que vou ver amanhã.Elas são o meu porquê.
Ainda haverá dias semi-ociosos, mas quando todos os que conheço e com quem converso ( poucos, acreditem...) contarem sobre suas viagens maravilhosas por esse mundão de Deus, mesmo que eu fique em silêncio, estarei sabendo que fiz a grande viagem.
Viajei para fora e para dentro de mim mesma e – o melhor –fiz planos. Planos? Sim, planos...
porque ,onde , hoje, há pássaros, fatalmente , amanhã, haverá vôo!
Em 15 de Julho de 2009
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