
Depois de ter vivido uma vida bastante longa e atribulada, hesito em dizer quem sou, como sou, porque sou...Realmente , não sei.
Tenho uma dualidade muito peculiar,ambígua, sou acessível, porém introspectiva naquilo que me diz respeito.Não sou de palco, atuo muito bem nos bastidores e gosto de estar lá. Refletores e luzes , minha alma precisa deles, não meu corpo.
Refletir e estar sozinha fazem-me bastante bem , porque é nesses momentos que me reencontro seja lá para o que for. Se rememoro algo triste, tenho lágrimas suficientes para lavar a dor , e seguir em frente. Se é algo conflituoso e complicado que me aflige, respiro fundo, busco coragem sei lá onde e recomeço. Sou dura na queda.
Contar comigo é regra, talvez porque tenha aprendido, a duras penas, que colocar expectativas nos outros é um convite à frustração. Demorei uma vida para descobrir segredos simples que poderiam ter tornado minha travessia por esse mundo muito mais leve. Tarde, porém a tempo. Engana-se quem pensa que descobri o caminho para a felicidade, apenas aprendi a atenuar as dores e os percalços do caminho.
Algo que sempre me preocupou , desde que criei o blog, era o fato de me expor. Decidi que não o faria e fui buscar em maravilhosos textos - não meus-a cumplicidade que faltava para preencher os espaços vazios. Mas, há dois dias atrás, movida por um impulso inexplicável de trazer ao presente um ontem especial que é intrínseco na minha história, postei um texto íntimo e pessoal. Era de mim para mim, mas acabou sendo de mim para o mundo. Quando me dei conta, o particular se tornara público.
Percebo agora que essa auto-exposição não foi ontem. Nasceu com o blog em cada palavra,cada vírgula, cada pausa, cada imagem ,cada reticência, cada entrelinha, cada texto escolhido... Milimetricamente, com sutileza, como a uma colcha de retalhos fui sendo tecida ,dia após dia, diante de mil olhos atrás dessa tela e , talvez, diante de mim, por tudo o que escolhi dizer aqui. Isso não é um desabafo, não estou arrependida, não...é apenas uma constatação.
Sei, no entanto , que, desde ontem, deixei de ver meus amigos virtuais como letras, textos, nomes .Eles passaram a ser muito mais :presenças de Pessoas que vou procurar construir melhor no meu imaginário, do mesmo modo com que me vi, pelos sinais. E , pelo que já conheço de cada um, poderei iniciar uma feliz sinfonia coletiva , cheia de notas e cores:
Haverá Frutos de Mim e Mar nas Interioridades de Tons de Azul .A Flor da Vida receberá um Beijo à noite, e nos mostrará que É Tudo Igual . As Horas Rotas poderão trazer as Cartas de Tiro em uma Big bag of Dreams. Com Paz & Arroz faremos uma grande festa para a qual virão a Em@ e a Zambesiana. Tudo será iluminado por uma doce Lanterna Romântica, pontilhado por Searas de Versos e profundamente guardado nas verdes Planícies da Memória. E muito e muitos mais...
Outras notas e cores ainda virão ...e a música sempre se renovará, porque lá no âmago de cada um, todos os que estamos aqui, na blogosfera, somos e vivemos desassossegados.





