quinta-feira, 12 de agosto de 2010
A cada um cabe a sua solidão.
“Quanto mais ando a procura de gente mais me encontro sozinho no vago...
e eu nem sabia mais o montante que queria, nem aonde eu extenso ia...
mas talvez o que sentia, Solidão”
Guimarães Rosa
"Como se comporta sua solidão? Esta pergunta tem mil respostas. Em que recanto da alma, em que recanto do coração, em que lugar do espírito, um grande solitário está só, bem só? Só? Fechado ou consolado? Em que refúgio, em que cubículo, o poeta é realmente um solitário? E quando tudo muda também segundo o humor do céu e a cor dos devaneios, cada impressão de solidão de um grande solitário deve achar sua imagem (...) Um homem solitário, na glória de ser só, acredita ás vezes pode dizer o que é a solidão. Mas a cada um cabe uma solidão (...) As causas da sua solidão não serão nunca as causas da minha". E conclui: "A solidão não tem história" .
Bachelard
domingo, 8 de agosto de 2010
Um exercício de Autoconhecimento.

O Fazedor de Homens
Todo homem é uma ilha...
É bom ser uma ilha distante
tanto quanto é bom ser um homem.
Todo homem possui uma ponte
pois é preciso sair da ilha, seguro.
A ponte de um homem é um braço estendido.
Todo homem é um mundo.
O mundo roda no sistema egocêntrico
de suas realidades,
pequenos alumbramentos,
medos e coragens.
E quando o homem encara o mundo e se depara
- homem-mundo,
mundo-homem,
volta à ilha:
Todo homem ama sua ilha.
II
O homem faz o homem.
E porque fez o homem, sem nem o homem querer
aufere direitos do homem.
Diz a ele: Cresça!
E ele fica mais alto.
Diz ao homem: Trabalhe!
E ele usa o corpo.
Diz ao homem: Viva!
E ele respira e existe.
Diz ao homem: Ame!
E ele não sabe como.
Mas diz ao homem: Procrie!
E ele faz homens.
Um dia ele morre.
Se a vida foi longa para viver
- é curta para morrer
- porque o homem não fez,
não escolheu,
não pensou nada.
III
O que faz um homem diferente de outro homem
é o que ele pensa.
O que o transforma, também,
de um simples fazedor de homens,
num criador de homens.
Todo homem é uma vontade.
E se deixa de ser vontade
teme a perda de sua posse.
Todo homem é uma consciência.
Nela inclui o seu saber
e a parte maior do não saber,
e se aceita o fato, é com ela que ele se entende.
Todo homem é seu corpo.
E sabe dele em contraste com outro corpo,
tal é a sua medida.
Como também, a medida de um homem é a sua carência:
porque é assim que ele se assume,
porque é assim que ele se liberta.
Quanto mais ele precisa
mais ele é maior. E dá.
Pede. Reivindica. Exige, quanto pode.
Luta e sofre.
Todo homem quer deixar sua ilha.
Temeroso de ter que voltar um dia, entretanto,
não destrói as pontes.
Enquanto isso, a ilha fica ali, só ilha.
A ponte fica ali, só ponte.
E o homem fica ali, só homem.
Carlos Drumond de Andrade
“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do género humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.
John Donne
A ilha desconhecida somos nós próprios e, nesse conto, quando se pinta dos lados que o nome da caravela é Ilha Desconhecida, as últimas palavras são: "Com a maré do meio-dia, a caravela partiu à procura de si mesma." E, no fundo, é isso. Nós andamos à procura de nós próprios e essa busca pode tomar vários caminhos.
Saramago , in O Conto da Ilha Desconhecida.
Três textos imperdíveis para reflexão profunda.
Sou uma ilha desconhecida? Escolhi o caminho certo para me descobrir? Construi uma ponte e não sei usá-la? Ou não consigo criar pontes?
Quem sou eu???!!!!
sábado, 7 de agosto de 2010
Ausência.
do Ciúme.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.

Mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante do que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa. Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com cuidado. Tome outro ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os seus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas. Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma no outro lado da cama... depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de tv, compre outro jornais...leia livros. Viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo. Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua. Corrija a postura. Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações. Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria. Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa. Escolha outro mercado...outra marca de sabonete, outro creme dental...tome banho em novos horários. Use canetas de outras cores. Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes. Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escreva outras poesias. Jogue fora os velhos relógios. Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus.
Mude. Lembre-se de que a Vida é uma só. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo Experimente coisas novas. Troque novamente Mude de novo, experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhores e piores do que as já conhecidas, mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.
Só o que está morto não muda! Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!
IMPORTANTE: A postagem original atribuiu a autoria desse texto a Clarice Lispector, mas, como consta de um comentário abaixo, o verdadeiro autor é EDSON MARQUES e o título do texto é MUDE.
Lamento o equívoco e me desculpo com o autor e com quem o leu.
Gizelda.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
De novo e sempre.

Esse não é um blog para contestações,notícias,problemas sociais e outros.
Todos os que visitam o Desassossego sabem que eu fujo de polêmicas , porque já perceberam que não consigo "fazer de conta que está tudo bem" , quando não está.
A Educação no Brasil vive à deriva não sei há quanto tempo e parece que vai continuar.
Há aproximadamente um ano houve uma vergonhosa fraude no Enem que, obviamente, ninguém sabe como acabou. Eis que às vésperas de nova prova,a bagunça recomeça. Quem garante que é - ou será- só esse o vazamento de dados?
Quando é que o Brasil vai descobrir que futebol e olimpíadas congregam esportes notáveis, mas que Educação e Saúde são prioridades?
Sinto vergonha ao ler essa reportagem e lamento que o país não se manifeste veementemente a respeito.
Pobre Brasil!
MEC confirma vazamento de dados de inscritos no Enem
04 de agosto de 2010 • 10h03 • atualizado às 10h34
O Ministério da Educação confirmou nesta quarta-feira, 04, o vazamento de dados de 11,7 milhões de estudantes que se inscreveram no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) entre 2007 e 2009. Informações como o nome completo do aluno, o número da inscrição, a carteira de identidade, o CPF e o nome completo da mãe do candidato ficaram com acesso livre na tarde desta terça-feira.
De acordo com a nota publicada nesta manhã, os dados dos inscritos ficam armazenados em banco do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) e são colocados em uma área reservada do site, liberada apenas para as instituições de ensino superior e secretarias de Educação que solicitarem as informações.
As instituições se comprometem a não divulgar os dados dos alunos e precisam de um nome do usuário e senha para ter acesso às informações. O acesso à área reservada do site do Inep está bloqueado e a direção do instituto informou que vai apurar as causas e as responsabilidades pelo vazamento dos dadosTerra on line
domingo, 1 de agosto de 2010
As duas faces da inveja.

Aqueles que são invejados entristecem-se com o rancor que sentem à sua volta; se são orgulhosos, por receio de algum prejuízo; se generosos, por compaixão dos que invejam. Mas depressa se alegram: se me invejam, isso quer dizer que tenho um valor, dos méritos, das graças; quer dizer que sentem e reconhecem a minha grandeza, o meu triunfo.
A inveja é a sombra obrigatória do gênio e da glória, e os invejosos não passam, de forma odiosa, de admiradores rebeldes e testemunhas involuntárias. Não custa muito perdoar-lhes, quando existe o direito de me comprazer e desprezá-los. Posso mesmo estar-lhes, com frequência, gratos pelo facto de o veneno da inveja ser, para os indolentes, um vinho generoso que confere novo vigor para novas obras e novas conquistas.
A melhor vingança contra aqueles que me pretendem rebaixar consiste em ensaiar um voo para um cume mais elevado. E talvez não subisse tanto sem o impulso de quem me queria por terra.
O indivíduo verdadeiramente sagaz faz mais: serve-se da própria difamação para retocar melhor o seu retrato e suprimir as sombras que lhe afetam a luz.
O invejoso torna-se, sem querer, o colaborador da sua perfeição
Giovanni Papini, in 'Relatório Sobre os Homens'
Das fraquezas humanas talvez a inveja seja a mais sórdida.Invejar o outro é reconhecer-se inferior.Não há como se proteger de um olhar invejoso, que constrange profundamente quem é alvo dele.Segunda face da inveja? Não. Ela tem uma só: rancor.
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