sexta-feira, 9 de julho de 2010

Sonhos da vida inteira.



...o Kramer apaixonou-se por uma corista que se chamava Olga. por algum motivo nunca conseguiam encontrar-se.ele gritava passando pela casa de Olga, manhãzinha (ela dormia): Olga, Olga, hoje estou de folga! mas nunca se viam e penso que ele sabia que se efetivamente se deitasse com ela, o sonho terminaria. sábio Kramer. nunca mais o vi. há sonhos que devem permanecer nas gavetas, nos cofres, trancados até o nosso fim. e por isso passíveis de serem sonhados a vida inteira.


Hilda Hilst, Estar sendo. Ter sido.

O que nos impusiona vida afora é realizar algo. Sonhos, especialmente. Quando eles se tornam reais, urge substitui-los, sob pena de afundarmos em solidão. Sim, é isso, a maior companhia de alguém é seu sonho mais precioso, mesmo que nunca se realize.

domingo, 4 de julho de 2010

Colheita.



Foi preciso muito tempo, na verdade uma vida, para eu me convencer de que expectativas colocadas em outras pessoas raramente se realizam.

Incontáveis vezes li e reli sobre isso, acho mesmo que sempre soube, mas eram apenas palavras, conceitos, conhecimento, não aplicação.Teoria sem prática.

Depois de um balanço providencial, tenho me sentido mais leve. Descobri que o melhor de que eu preciso está em mim: certeza de integridade profissional, sensação de dever cumprido, amor pela família ( selecionada...) e por amigos ( raros).

Olhar mais profundamente as manhãs ensolaradas,sentir a leveza da brisa ao entardecer, o sabor da fruta madura, a música do silêncio,viver com menos sobressalto, tomar decisões que me beneficiam...ah! Tudo isso só depende de mim,de mais ninguém.

Já não me incomoda tanto o que "os outros" pensam , dizem, fazem,onde vão, se me amam ou me vêem. Isto deixou de ser relevante.Finalmente.

Não direi que sou feliz, mesmo porque nem sei se conheço a tal "felicidade embriagadora" que a literatura tanto canta.Estou aprendendo a viver bem com o que tenho, mesmo quando não é tudo o que quero.

Enfim, vivo um momento de educação existencial essencial para minha alma.
Por quanto tempo?...não tenho a menor idéia,talvez nem dure, mas, no momento, estou gostando de me sentir assim.

Sem dúvida , é um princípio de colheita.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Desencanto.




Atalhos são apenas um modo de retardar o inevitável...a estrada permanece intocada e tem-se que recomeçar o que se pensou deixar para trás...doa o quanto doer.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Há muitas coisas que gostaríamos de jogar fora...


“É triste pensar nisso, mas, indubitavelmente, o Gênio dura mais do que a Beleza. Isto explica o motivo pelo qual nos damos tanto trabalho para adquirir cultura. Na luta feroz pela existência, desejamos ter algo de perdure e, assim, atravancamos nosso espírito de inutilidade e fatos, com a tola esperança de conservar o nosso lugar.

O homem bem-formado em tudo – eis o ideal moderno. E a mente do homem bem-formado é uma coisa horrível. Assemelha-se a uma loja de quinquilharias, cheia de de monstruosidades e de pó, tendo todos os objetos preço superior ao verdadeiro.

A fidelidade é, para a vida emocional, o que a coerência é para a vida do intelecto –simplesmente uma confissão de fracassos. Fidelidade! Preciso analisá-la um dia. Nela se acha a paixão pela propriedade. Há muitas coisas que gostaríamos de jogar fora, não fosse o receio de que outras pessoas as apanhassem.”


O retrato de Dorian Gray -Oscar Wilde.



Um pequeno texto para muitas reflexões:

" ter algo que perdure"...existe algo que perdura? Onde?Como?
" a tola esperança de conservar o nosso lugar" ...mas qual é o "nosso" lugar?
" paixão pela propriedade"...Propriedade ou posse? São reais? Ilusão?
" fidelidade é uma confissão de fracassos - para a vida emocional"...fidelidade em relação a quê? A si ou ao outro?

terça-feira, 29 de junho de 2010

MontyPython.




Always Look on the Bright Side of Life

Sem palavras!

Possibilidades.



Será essa??????...

sexta-feira, 25 de junho de 2010

...é preciso pousar.



Quase uma semana de bloqueio...total,real, irreversível.Sem entender o que leio,sem escrever, sem selecionar textos,nada.
Vazio de mim, branco absoluto, névoa densa, espessa,enrosco sem portas ou janelas.
Eu-refém de uma sensação estranha e impalpável que não quero e ,ao mesmo tempo reluto em soltar.
Intangível presença que me povoa a alma, tornando-me ausente de pessoas, de coisas, de mim....
Flutuo no espaço infinito sem chance de pouso.
E , no entanto, é preciso pousar...