sábado, 24 de outubro de 2009

A impaciência é uma energia inútil.


o tempo não tem todo o mesmo peso. há um tempo que abre feridas e outro que as cicatriza. a impaciência é uma energia inútil e os heróis são personagens de outro palco. já quis acarear o tempo. agora só quero ir ao lado dele.

nutro-me de utopias. desabo debaixo de grafias líquidas. concedo-me o destino das algas. e devolvo-me às marés. de peito aberto. para ser só coração. vibrante e voraz. vocação de vaga que explode o beijo na areia.

mas há-de vir o inverno. o frio na pele. o aperto no coração. a gestação dos diálogos. quentes e doces. aveludada teia que retorna ao pensamento quando os dias quietos se retocam de nostalgia. sei então que em algum momento e lugar voaremos em movimento de asas sincronizado. teremos então a idade do ouro.


Maria José Quintela...porque indiscutivelmente tê-la "descoberto" foi uma das coisas mais significativas que me aconteceram nesse ano.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A convicção ( falsa) de que se tem outra oportunidade.



Havia de ter a sensatez de não folhear os álbuns de fotografias; mas não conseguiria deixar de visualizar as imagens que tinha na cabeça – dos momentos desperdiçados porque se supunham infinitos, das noites em que os dois, cansados, se tinham contentado com uma breve carícia em vez de um enlace impetuoso, voltando as costas um ao outro e dispondo-se a um sono gratificante, na convicção total de que ambos teriam outra oportunidade, no dia seguinte, ou no sábado de manhã.

Todas essas oportunidades tinham sido enfiadas numa bola de trapos, que um destino indiferente se encarregara de arremessar para bem longe.”


Um Natal Que Não Esquecemos/ Jacquelyn Mitchard

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Nós somos o que nunca é concluído.


Imaginar um mundo novo é vivê-lo diariamente, cada pensamento, cada olhar, cada passo, cada gesto matando e criando de novo, com a morte sempre um passo à frente.

Cuspir no passado não é bastante. Proclamar o futuro não é bastante. A gente precisa agir como se o passado estivesse morto e o futuro fosse irrealizável. A gente precisa agir como se o próximo passo fosse o último, o que ele é.

(…) Somos aqui da terra para nunca acabar, o passado nunca cessando, o futuro nunca começando, o presente nunca acabando. O mundo do nunca-nunca que seguramos em nossas mãos e vemos, mas que não somos nós mesmos.

Nós somos o que nunca é concluído, nunca é modelado para ser reconhecido, tudo que existe mas que não é o todo, as partes sendo tão maiores que o todo que só Deus, o matemático, pode imaginá-lo”.

Henry Miller in Primavera Negra.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A felicidade não está nas coisas, nem é alguma coisa.



Felicidade é um estado. Isso quer dizer uma maneira de ser que consiste em ser por nada senão por ser e em encontrar nessa maneira de ser assim gratuitamente uma forma de plenitude.

Em virtude disso, a felicidade não está nas coisas nem é alguma coisa.

Ela também não está em alguém nem é alguém, mas está na maneira pela qual se vivem as coisas e os outros.

Tudo pode, portanto, tornar-se ocasião de felicidade. Todo mundo igualmente.

Por menos que se faça não só um esforço para ser, mas também e sobretudo o esforço de ser. Donde a extraordinária liberdade da felicidade.

Sua extraordinária capacidade igualmente de poder transformar tudo.

Bertrand Vergerly, O Sofrimento, p. 129 (EDUSC)

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

"Cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias ..."




“Florentino Ariza não deixou de pensar nela um único instante desde que Fermina Daza o rechaçou sem apelação depois de uns amores contrariados e longos, e haviam transcorrido a partir de então cinquenta e um anos, nove meses e quatro dias
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Depois de um longo tempo, Florentino Ariza olhou Fermina Daza ao fulgor do rio, viu-a espectral, o perfil de estátua suavizado por um tênue resplendor azul, e viu que chorava em silêncio.Mas, em vez de consolá-la, ou esperar que esgotasse suas lágrimas, como queria ela, deixou-se invadir pelo pânico.

-Você quer ficar só?
-Se quisesse não diria a você que entrasse.-disse ela.

Então ele estendeu os dedos gelados na escuridão, buscou tateante a outra mão na escuridão, e a encontrou à espera.Ambos foram bastante lúcidos para perceber , num mesmo instante fugaz, que nenhuma das duas era a mão que tinham imaginado antes de se tocar, e sim duas mãos de ossos velhos.


Gabriel Garcia Márquez

Gizelda ,impregnada até os ossos pelo amor incondicional de Florentino Ariza por Fermina Daza... Lindo.Imperdível.

domingo, 18 de outubro de 2009

Você não pode voltar atrás no que vê.




...Porque você não pode voltar atrás no que vê. Você pode se recusar a ver, o tempo que quiser: até o fim de sua maldita vida, você pode recusar, sem necessidade de rever seus mitos ou movimentar-se de seu lugarzinho confortável.

Mas a partir do momento em que você vê, mesmo involuntariamente, você está perdido: as coisas não voltarão a ser mais as mesmas e você próprio já não será o mesmo.

Caio F. Abreu

quinta-feira, 15 de outubro de 2009




Preciso fazer uma escolha , urgente. E não posso errar.Não mais.

Para onde devo ir?