terça-feira, 6 de outubro de 2009

...a vida é “muito” para ser insignificante.


Já perdoei erros quase imperdoáveis,
tentei substituir pessoas insubstituíveis
e esquecer pessoas inesquecíveis.

Já fiz coisas por impulso,
já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar,
mas também decepcionei alguém.

Já abracei para proteger,
já dei risada quando não podia,
fiz amigos eternos,
amei e fui amado,
mas também já fui rejeitado,
fui amado e não amei.

Já gritei e pulei de tanta felicidade,
já vivi de amor e fiz juras eternas,
“quebrei a cara muitas vezes”!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
já liguei só para escutar uma voz,
me apaixonei por um sorriso,
já pensei que fosse morrer de tanta saudade
e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).

Mas vivi, e ainda vivo!
Não passo pela vida…
E você também não deveria passar!

Viva!
Bom mesmo é ir à luta com determinação,
abraçar a vida com paixão,
perder com classe
e vencer com ousadia,
porque o mundo pertence a quem se atreve
e a vida é “muito” pra ser insignificante.


Charles Chaplin

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Sei que sou teu.




Se me esfolassem agora
encontrariam o teu nome
colado num dos meus ossos.

De mim continuariam a nada entender.
Quanto a mim, sei que sou teu.

Manuel Cintra

domingo, 4 de outubro de 2009

Roda Viva.




Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo...

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo...

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou

No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo...


(Chico Buarque)
Se eu tivesse talento e competência para tanto , hoje, eu estaria escrevendo essa letra e essa música, sem dúvida.

sábado, 3 de outubro de 2009

"Um recado" que preciso entender...



Hoje recebi um inusitado presente ( adiantado) pelo dia do professor. Um envelopinho pardo trazia bem guardada uma...sementinha de ipê amarelo!
Não me lembro de haver recebido antes algo tão simbólico e tão bonito.

Voltei no tempo para me lembrar de que sempre tive uma atração irresistível por cores brilhantes e vivas, mas o amarelo , ah...minha alma sempre foi amarela!

Há quase 20 anos atrás, ao construir minha primeira ( e única) casa, plantei dois ipês amarelos no gramado das calçadas e esperei ansiosamente que me trouxessem flores, as quais vieram só dez anos depois.

A partir de então, esperar as floradas em agosto/setembro tornou-se ritual.E rezar para que os pardais não bicassem todos os botões...

Quando as flores vinham, minha cozinha resplandecia de amarelo, dourada, iluminada, feliz.! Aliás, nem havia como ser diferente com todo aquele brilho ,ficávamos contaminados por aquela exuberância e beleza. Uma dádiva, sem dúvida.

Quanto tempo passei mergulhada em manhãs perfumadas e silenciosas repletas daquele encanto!

Mas, a beleza é transitória e qualquer ventinho derrubava uma multidão de flores que coalhavam o corredor e o gramado.E que pena vê-las escurecer...Ficava, no entanto, a certeza de que viria outro ano e os meus ipês se guardariam até lá.
E voltariam pra mim, lindos e majestosos...

Porém,a vida se processa em ciclos. A casa foi vendida há três anos atrás. As lembranças guardadas por ela ali permaneceram, tristes e /ou alegres como em qualquer história. Ao fechar a porta da casa pela última vez não olhei para os meus ipês, porque não saberia como me despedir deles. Abandoná-los parecia uma traição.E era.

Nesses anos, sempre que vi, em qualquer lugar , tais árvores floridas, pensei nas “ minhas” flores, encantando outros olhos , outras pessoas... E senti dor e ciúme. O coração pesado, de chumbo .Ainda sinto.

Hoje , a sementinha me trouxe uma mensagem . Será que eu conseguirei ouvi-la? Guimarães Rosa diz só as pessoas disponíveis conseguem receber “ recados da natureza” e entender a magia da vida.Não sei se merecerei tanto, mas espero conseguir ouvi-lo.

Minha alma tem certeza de que nessa semente há um recado para mim. Tomara que eu tenha sensibilidade suficiente para entendê-lo...e coragem para tomar atitudes.

Gizelda/ transbordando de amarelo.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

...



Tarde de primavera...Façam-se flores ( sem espinhos) no meu coração!

...um tempo de noite e de morte.



Para mim, tudo tinha parado. Mesmo que o dia nascesse, mesmo que as coisas vivas começassem lentamente a acordar. Para mim, tudo tinha parado. O dia podia nascer, os pássaros podiam cantar, que, para mim, o tempo tinha parado num tempo de noite e de morte.

Para mim, os pássaros não existiam, porque eu não acreditava nos pássaros a cantarem. Mas os corpos começavam a mexer-se. Os pássaros cantavam. Os dias nasciam. O céu brilhava. Eu sabia tudo aquilo em que não acreditava e estava ainda mais sozinho, ainda mais sozinho por isso.

Eu estava tão sozinho que a minha solidão, eu, tinha sido recortada com precisão do mundo. Os meus contornos eram exatos a isolarem-me do mundo.

Eu não queria existir. Eu não queria que o meu rosto fizesse parte das coisas que podem ver-se. Eu queria que os espelhos não me refletissem, que ninguém me ouvisse, que ninguém soubesse da minha voz ou se lembrasse do meu nome, do meu rosto, das minhas memórias. Eu queria não ser sequer algo que se esquece.

Lutava sozinho contra as manhãs.

José Luis Peixoto in Uma Casa na Escuridão

Voltando á sanidade mental... ( será????)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Tsunami MORAL .EDUCAÇÃO À DERIVA.



HINO NACIONAL

Parte I

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante,
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,
Brilhou no céu da pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte,
Em teu seio, ó liberdade,
Desafia o nosso peito a própria morte!

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

Gigante pela própria natureza,
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!

Parte II

Deitado eternamente em berço esplêndido,
Ao som do mar e à luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do Novo Mundo!

Do que a terra, mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores."

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!


Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado,
E diga o verde-louro dessa flâmula
- "Paz no futuro e glória no passado."

Mas, se ergues da justiça a clava forte,
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada,
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Pátria amada,
Brasil!


Letra: Joaquim Osório Duque Estrada
Música: Francisco Manuel da Silva

Atualizado ortograficamente em conformidade com Lei nº 5.765 de 1971, e com
art.3º da Convenção Ortográfica celebrada entre Brasil e Portugal. em 29.12.1943.

Começando por mudar a letra do Hino...
Bem,sei que será uma surpresa esse post, porque não costumo enveredar por questões políticas e sociais, uma vez que não consigo deixar de me indignar e me expor muito. Mas, hoje, ao abrir o portal Terra na internet, às 7 da manhã, fui surpreendida pela manchete de cancelamento ( em cima da hora ) da prova do Enem POR FRAUDE. Senti uma vergonha avassaladora, senti-me cúmplice dessa sujeira.

Tenho vivido de perto a apreensão de jovens, cujo futuro começaria nessa prova, e que seriam cobaias dela, pois ainda é um experimento.Vá lá , é uma tentativa de mudança!

Mas, são cerca de 4,1 milhões de candidatos que realizariam o exame que , hoje, estarão atônitos, impotentes, frustrados, pois vão prolongar neles a agonia. Quem merece????

Meu Deus! Não consigo ficar calada sob pena de pactuar com MAIS UMA SUJEIRA! Será que ninguém percebe que Olimpíadas é acessório e Educação é essencial????

Temos que mudar o Hino Nacional, urgente :

Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salvem-na! Salvem-na! enquanto é tempo.


Em tempo: É preciso "levantar-se do berço esplêndido" , mesmo porque quem "está deitado eternamente" já morreu!