Com o decorrer dos anos ambos chegaram, por caminhos diferentes, à conclusão sábia de que não era possível viverem juntos de outra maneira, nem amarem-se de outra maneira: nada neste mundo era mais difícil do que o amor.
Dirás que sonho o dementado sonho de um poeta Se digo que me vi em outras vidas Entre claustros, pássaros, de marfim uns barcos? Dirás que sonho uma rainha persa Se digo que me vi dolente e inaudita Entre amoras negras, nêsperas, sempre - vivas? Mas não. Alguém gritava: acorda, acorda Vida. E se te digo que estavas ao meu lado E eloquente e amante e de palavras ávido Dirás que menti? Mas não. Alguém gritava: Palavras... apenas sons e areia. Acorda. Acorda Vida.
Estou à procura, procura do vento. Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero. Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero. Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vendê-lo mais uma vez e sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer. Porque a minha força é imortal."
Cemitério de Pianos, de José Luís Peixoto
sábado, 4 de julho de 2009
Não chores porque já terminou, sorri porque aconteceu.
Instalo-me neste ponto do espaço que ocupo, neste momento preciso da duração. Não admito de jeito nenhum que não seja absolutamente crucial. Estendo os braços quanto posso. Digo: Eis o sul eis o norte…Sou efeito, serei causa. Causa determinante! Uma oportunidade que não se reapresentará nunca mais. Sou; mas quero achar minha razão de ser. Quero saber para que vivo.