terça-feira, 7 de julho de 2009



Com o decorrer dos anos ambos chegaram, por caminhos diferentes, à conclusão sábia de que não era possível viverem juntos de outra maneira, nem amarem-se de outra maneira: nada neste mundo era mais difícil do que o amor.

Gabriel Garcia Marquez

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Do desejo.




Dirás que sonho o dementado sonho de um poeta
Se digo que me vi em outras vidas
Entre claustros, pássaros, de marfim uns barcos?
Dirás que sonho uma rainha persa
Se digo que me vi dolente e inaudita
Entre amoras negras, nêsperas, sempre - vivas?
Mas não. Alguém gritava: acorda, acorda Vida.
E se te digo que estavas ao meu lado
E eloquente e amante e de palavras ávido
Dirás que menti? Mas não. Alguém gritava:
Palavras... apenas sons e areia. Acorda.
Acorda Vida.

Hilda Hilst

domingo, 5 de julho de 2009

Eu quero.



Estou à procura, procura do vento. Porque a minha vontade tem o tamanho de uma lei da terra. Porque a minha força determina a passagem do tempo. Eu quero.
Eu sou capaz de lançar um grito para dentro de mim, que arranca árvores pelas raízes, que explode veias em todos os corpos, que trespassa o mundo. Eu sou capaz de correr através desse grito, à sua velocidade, contra tudo o que se lança para deter-me, contra tudo o que se levanta no meu caminho, contra mim próprio. Eu quero.
Eu sou capaz de expulsar o sol da minha pele, de vendê-lo mais uma vez e sempre. Porque a minha vontade me regenera, faz-me nascer, renascer.
Porque a minha força é imortal."


Cemitério de Pianos, de José Luís Peixoto

sábado, 4 de julho de 2009





Não chores porque já terminou, sorri porque aconteceu.


Gabriel Garcia Marquez

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Momento crucial.



Instalo-me neste ponto do espaço que ocupo, neste momento preciso da duração. Não admito de jeito nenhum que não seja absolutamente crucial. Estendo os braços quanto posso. Digo: Eis o sul eis o norte…Sou efeito, serei causa. Causa determinante! Uma oportunidade que não se reapresentará nunca mais.
Sou; mas quero achar minha razão de ser.
Quero saber para que vivo.

André Gide, Frutos da terra

...é só isto.





vem sem aviso. em pequeninas doses. e vai como veio. talvez com um pouco menos de ruído.
e é só isto a felicidade. um sorriso a abrir o nevoeiro.


maria josé quintela

quarta-feira, 1 de julho de 2009

...




“Aprendi com as primaveras
a me deixar cortar para
poder voltar inteira.”

Cecília Meirelles