
Estou só...
Minha parceira de vida – e de vôo - viajou nesse final de semana. Cíntia,8 anos e 9 meses de uma existência mágica tornaram -na o meu “vale a pena”. Fiquei vazia de vozes, de ruídos,de sorrisos, de beijos estalados, mas repleta de lembranças que teimam em permanecer.
Pairo sobre o que fui e que sou com um poder (?) oco de observar algo que não consigo explicar, nem mudar. Dói. E dói muito.
A consciência de que tudo, desde a primeira vez, não passou de uma escolha, torna-me perplexa e pequena.
Tenho e tive o que escolhi.Não mais. Não menos.
Ir por ali e não por aqui,os caminhos se abrindo (...ou se fechando?) na fluidez do tempo que não me permitiu voltar. Ou parar.
Não há balanço.
Nem julgamento.
Não sei o bem ou o mal. Não há estrutura emocional para avaliar estragos, nem para dosar sucesso, se algum houve.Do infinito luminoso a um escuro poço sem escada. Ou vice-e-versa.Apenas foi.É.
Minha escala de valores contabiliza dores e alegrias com a mesma profundidade. Irreversíveis. Quase não acredito que as vivi.
Sair de mim, ver-me assim é, paradoxalmente, um soco na boca do estômago com uma rosa entre os dentes...e dói.
Gizelda, 31/03/2007
Em uma manhã chuvosa de outono é exatamente assim que estou me sentindo 2 anos após esse post. (Será que alguém já repetiu um post?)
Idas e voltas depois, é difícil aceitar que
dentro de mim tudo está no mesmo lugar.