sábado, 21 de março de 2009

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e tudo o que sempre me embriaga de emoção é tudo o que não posso. tudo o que não faço. tudo o que não tenho. tudo o que nasce e não morre. tudo o que morre sem nascer.
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e nada se revela tão decisivo quanto o sobressalto na eminência de um precipício. umbral a precipitar os gestos que nos desabam.

há um segredo contido nos dias que douram a realidade. tecto falso de um (des)abrigo maior.

Maria José Quintella.

Só um texto como esse perfura a casca do meu silêncio.Gizelda.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

O rio e o coração.




"Como ele sempre dissera:o rio e o coração, o que os une? O rio nunca está feito, como não está o coração. Ambos são sempre nascentes, sempre nascendo. Ou como eu hoje escrevo: milagre é o rio não findar mais. Milagre é o coração começar sempre no peito de outra vida."

"A chuva pasmada"- Mia Couto

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

SERENATA DE ANIVERSÁRIO



Contam que os anos das nossas vidas
Juntam e escolhem os nossos cortejos
Que, na dor, na dita ou na despedida,
Tornam serenos nossos lacrimejos.

Poderia muito mais nesse ensejo
Te dizer, muito fora das medidas,
Verdades de feridas e desejos
Enredo quase digno de avenida.

Nesta data, não porém, eu me apronto
E te escrevo confiando alegria
Roda de samba, sereno e luar.

Em teu dia, faça-te em belo conto
Desembrulha-te! Sem estrela-guia
Pois hoje é teu dia; e sempre será.

Rui Keiner
...um aluno especial que, um dia, passou por mim e, hoje,lindamente mostra ao mundo um pouco de sua muita sensibilidade enquanto PESSOA.
Obrigada pela linda homenagem, Rui.

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Quantas!!!!




Quantas?!!!! 65 velas depois, ainda uma pergunta sem resposta :

Quem sou eu?

?

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Palavras são jóias...espumas.



... Sim Senhor, tudo o que queira, mas são as palavras as que cantam, as que sobem e baixam ... Prosterno-me diante delas... Amo-as, uno-me a elas, persigo-as, mordo-as, derreto-as ... Amo tanto as palavras ... As inesperadas ... As que avidamente a gente espera, espreita até que de repente caem ... Vocábulos amados ... Brilham como pedras coloridas, saltam como peixes de prata, são espuma, fio, metal, orvalho ... Persigo algumas palavras ... São tão belas que quero colocá-las todas em meu poema ... Agarro-as no vôo, quando vão zumbindo, e capturo-as, limpo-as, aparo-as, preparo-me diante do prato, sinto-as cristalinas, vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas ... E então as revolvo, agito-as, bebo-as, sugo-as, trituro-as, adorno-as, liberto-as ... Deixo-as como estalactites em meu poema; como pedacinhos de madeira polida, como carvão, como restos de naufrágio, presentes da onda ...

Tudo está na palavra ... Uma idéia inteira muda porque uma palavra mudou de lugar ou porque outra se sentou como uma rainha dentro de uma frase que não a esperava e que a obedeceu ... Têm sombra, transparência, peso, plumas, pêlos, têm tudo o que ,se lhes foi agregando de tanto vagar pelo rio, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser raízes ... São antiqüíssimas e recentíssimas. Vivem no féretro escondido e na flor apenas desabrochada ... Que bom idioma o meu, que boa língua herdamos dos conquistadores torvos ... Estes andavam a passos largos pelas tremendas cordilheiras, pelas .Américas encrespadas, buscando batatas, butifarras*, feijõezinhos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos, com aquele apetite voraz que nunca. mais,se viu no mundo ... Tragavam tudo: religiões, pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles traziam em suas grandes bolsas... Por onde passavam a terra ficava arrasada... Mas caíam das botas dos bárbaros, das barbas, dos elmos, das ferraduras. Como pedrinhas, as palavras luminosas que permaneceram aqui resplandecentes... o idioma. Saímos perdendo... Saímos ganhando... Levaram o ouro e nos deixaram o ouro... Levaram tudo e nos deixaram tudo... Deixaram-nos as palavras.

*Butifarra: espécie de chouriço ou lingüiça feita principalmente na Catalunha, Valência e Baleares. (N. da T.)


Pablo Neruda

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

...é a alma que me alberga o corpo.



só me reconheço em fragmentos.
no silêncio que me é margem líquida e onde deslizo sem fio condutor.

sou muitas histórias. de princípio ou de fim.
sinto o que me atropela o coração e escrevo para arrumar sentires.
das palavras só aproveito as que lançam escadas para lugar nenhum.
as outras desperdiço-as. em bancos de memória.
porque as perdas são alongamentos dolorosos da alma
e é a alma que me alberga o corpo.
e para que ninguém me contrarie digo baixinho que nascerei outra vez.
unificada em continente.

Maria José Quintela .

domingo, 18 de janeiro de 2009

Luz.



Sol e céu = meu ano de 2009!