quarta-feira, 1 de abril de 2015

Voltar prá casa...




Desde sempre , acostumei-me a gerenciar minha vida, mesmo que a prioridade não fosse eu. Escolhas difíceis cujas consequências não foram as esperadas aconteceram, mas não foram regra. Não obstante "virar a mesa" - e recomeçar- sempre me aconteceu.

Claro que, premida por circunstâncias incontornáveis, cedi algumas - muitas- vezes, sempre com a incômoda sensação de estar inadequada e transitória naquele momento e naquele lugar. Assim como uma peça do quebra-cabeças, a definitiva,que não se encaixasse por estar na moldura incorreta.Viver isso sempre foi, literalmente,um inferno, mas...
sempre se podia voltar prá casa.

Casa, o que é casa?Um belo apartamento? Um amontoado de tijolos que enfeita uma esquina? O quê?...a resposta dói.
Casa , a nossa, é onde estão nossos pais, nossos avós, nossa raiz.Nós construímos casas para nossos filhos que vem e vão ao sabor da vida.Somos a casa deles.Mas a nossa casa é outra.É onde fomos queridos, amados, desejados, sempre.

Ainda agora, sentada na minha sala, o prenúncio da Páscoa no ar,sinto uma vontade infinita de voltar prá casa.E não a tenho mais.
Quando nossos pais se vão, desmancha-se a nossa casa. Temos um domicílio,um endereço,uma paragem,mas nunca mais poderemos voltar prá nossa casa....

Um dia inacreditavelmente azul entra pelas largas portas de vidro. Doura, nesse momento,muitos e muitos outros domicílios de pessoas que, como eu, sabem , dolorosamente, que não podem mais voltar prá casa...



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