domingo, 5 de abril de 2009

ninguém exuma o silêncio.



flutuo no silêncio a coberto da discrição da noite. a dor em vias de extinção. e escrevo sobre a hesitação de um ponto de encontro a meio caminho entre o relâmpago e o trovão. sigo atrás de um pensamento que corre ao contrário e deposita um alfabeto novo à entrada da boca. suspendo aqui o assombro. as palavras novas pulsam como o sangue e ficam a doer se forem ditas.

não sei se o amor se mede pelos gestos que se fazem ou pelos que se omitem. o que eu digo é que só a morte é um crime perfeito. ninguém exuma o silêncio.

Maria José Quintella

às vezes desconfio que minha alma é portuguesa...

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